Dom Luciano Bergamim
Bispo Emérito de Nova Iguaçu

As mulheres tinham ido ao túmulo de Jesus com a intenção de colocar mais perfumes no corpo inerte d’Ele. Mas qual foi sua maravilha ao notarem que o sepulcro estava aberto e vazio! O Anjo do Senhor lhes apareceu e disse: “Não tenhais medo! Sei que procurais Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui! Ressuscitou, como havia dito!”
É este o anúncio jubiloso que a Igreja repete com entusiasmo e convicção: É Páscoa! O Senhor, que havia sido morto por nossos pecados, ressuscitou, está vivo para sempre e é o Senhor da história, o Salvador da Humanidade inteira, o caminho que leva ao Pai, a garantia e a esperança para o universo.
O fundamento da fé e a passagem para a vida
A Páscoa da Ressurreição, portanto, não é somente a festa mais importante dos cristãos. É, sobretudo, a chave da estrutura de nossa fé e vida cristã, pois como afirmava São Paulo: “Se Cristo não tivesse ressuscitado, vã seria nossa fé”. A expressão Páscoa da Ressurreição propriamente significa “Passagem da morte para a vida nova e definitiva”, é memória, celebração, libertação e renovação. Memória da vitória de Jesus sobre o pecado e a morte. Com Ele, nós também podemos vencer o mal e entrarmos, após a experiência da morte física, na vida definitiva.
Celebração da liberdade e renovação pelo Espírito
Celebração da liberdade cristã, da esperança, dos anseios mais vivos que se encontram na gente e que se resumem na vida e no amor. Podemos afirmar que a Páscoa da Ressurreição se renova todos os domingos e em todas as Missas: “Anunciamos tua morte, Senhor, e proclamamos a tua ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!”
Libertação do pecado e da morte, das situações que escravizam e matam em busca de um mundo diferente, em que cada um alcança a felicidade que tanto sonha. Renovação, pois o Espírito Santo que soprou sobre o corpo de Cristo e o chamou à vida definitiva e gloriosa quer revitalizar constantemente nossas existências e estruturas.
A Ressurreição de Cristo é comprovação de sua obra junto aos homens, assim como do beneplácito de Deus Pai em relação a seu Filho, aceitando seu sacrifício de amor infinito em favor da humanidade.
Um tempo novo: o chamado para ser testemunha
O Senhor Jesus inaugurou um tempo novo, em que o egoísmo é substituído pelo amor, a paz cessa de ser uma utopia inacessível e se torna uma realidade possível e concreta, a esperança prevalece sobre o desânimo, e a certeza de dias melhores ilumina o horizonte. Então, o que Jesus Cristo espera de nós nesta Páscoa? O que Ele deseja de sua Igreja no começo do terceiro milênio?
Que sejamos testemunhas fervorosas e arautos alegres da vitória de Cristo, vitória que iniciou há dois mil anos e que se atualiza no dia de hoje em cada pessoa que sabe amar e em cada gesto pessoal, comunitário e social, capaz de trazer vida para todos! Finalmente, Ter uma Páscoa bem cristã significa construir ao próprio redor um ambiente de paz, fazendo vibrar a saudação do próprio Jesus ressuscitado: “Shalom!”.
Chega de ódio, de violência, de injustiça, de guerra, de medos, de privilégios… Vamos plantar uma “terra sem males”, florida de bem, vida, solidariedade, justiça e serenidade em prol de cada ser humano. Que todos tenhamos uma feliz e santa Páscoa da Ressurreição! (Canção Nova)













































