

ES: Os dados do TSE mostram que os candidatos pardos tiveram aumento de representatividade no Espírito Santo. Em 2022, eles eram 33,93% dos candidatos e, em 2026, passaram para 37,59%.
Por outro lado, o número de candidatos que se autodeclaram pretos caiu. O grupo representava 16,90% das candidaturas em 2022 e passou para 14,66% em 2026.
Além disso, a presença negra aparece com maior força nas disputas para o Legislativo.
Na disputa por uma vaga de deputado federal, pretos e pardos representam 54,81% dos candidatos. Já entre os concorrentes a deputado estadual, o grupo soma 51,74% das candidaturas.
Ausência em disputa pelo governo chama atenção
Apesar do crescimento geral, nenhum dos cinco candidatos ao cargo de governador do Espírito Santo se declarou preto ou pardo em 2026.
O cenário também apareceu na eleição de 2022, quando não houve candidato preto ao governo e apenas um candidato pardo participou da disputa.
No cargo de vice-governador, porém, houve mudança. Em 2026, uma candidatura preta aparece entre os cinco nomes registrados, enquanto em 2022 não havia representantes desse grupo na disputa.
No Senado, a diversidade também apresentou queda. Em 2022, três dos nove candidatos eram pretos, número que correspondia a 33,33%. Agora, em 2026, apenas um dos 11 candidatos ao Senado se declara preto.
Especialista aponta desafios além do número de candidaturas
Para a pesquisadora Mariana Cazé, pós-graduanda em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o aumento das candidaturas representa um avanço, mas ainda não garante igualdade na disputa.
Segundo ela, candidaturas negras continuam mais presentes nas eleições proporcionais porque o sistema de distribuição de vagas favorece a entrada de representantes pelos partidos.
Nas disputas majoritárias, entretanto, os candidatos precisam enfrentar uma competição mais individualizada, que envolve maior investimento financeiro, tempo de propaganda e estrutura partidária.
“Não basta perguntar quantas pessoas negras estão se candidatando. É preciso questionar quais candidaturas recebem mais recursos, maior estrutura partidária e melhores condições reais de competitividade”, afirmou.
A especialista destaca ainda que o próximo desafio é transformar o crescimento das candidaturas em maior ocupação dos espaços de poder.
“Temos avançado na entrada de pessoas negras na política institucional, mas ainda precisamos avançar para que possam disputar e ocupar os cargos mais altos dessa estrutura”, avaliou.
Além disso, Mariana ressalta que a análise precisa considerar não apenas a quantidade de candidatos, mas também recursos recebidos, apoio dos partidos e capacidade real de disputa eleitoral.










































